domingo, 30 de maio de 2010

Microcosmo


De repente, percebi que

Me espiava o mato crescendo

No canteiro da janela

Enquanto o arrancava.

De repente vi a pedra

Entre as muitas pedras

Dos lanços da escada

Ser pisada.

De repente, vi tudo

Muito lentamente

Se despejando

quando a água suja

Fora retirada.

De repente,

Vi que o tempo

Era apenas uma máquina


Que contava cada momento

Que contava. 

E agora nada mais

Será como antes,

Agora que enxerguei

o que antes só olhava.

E ao mirar em mim,

não me surpreendi

ser a primeira vez

que me encontrava.

Um comentário:

A.R disse...

Sempre quando leio seus versos, lembro de um verso do Quintana.

"Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação."

Belíssimo!