segunda-feira, 8 de maio de 2017

Rashid - "Estereótipo" (VÍDEO OFICIAL)





ESTEREÓTIPO

Querem mandar no que eu visto, querem julgar quem eu sou
Querem anular o que eu conquisto e que eu fique só com o que sobrou
Pode procurar nos registro, meu, o que fazem com a nossa cor
E se você é mais um tipo eu, resista, onde quer quer for
Porque

Somos todos alvos, somos todos alvos aqui! (4x)

Um dos 5 moleques no carro no Rio, podia ser eu
Ou o Douglas que se foi no Jd. Brasil, podia ser eu
Outro inocente morto a noite e ninguém viu, podia ser eu
E em nenhum desses casos cê nada sentiu, só se fosse eu!
Faz tempo que a rua não é fábula, vim tipo rábula
Pelos meus com discurso pra encabular, 
Conteúdo! Boy, senta o rabo lá
E me escuta, cansei do estábulo, não vou te adular
Com essa Stabilo em mãos escrevi coisas que me levaram a confabular
Na facul que você curte cabular
Falemos de chances mas aviso
Não existe igualdade pra quem tem que correr atrás de quase 400 anos de prejuízo
Cê num sabe o que é isso, já antecipo
E nem ser seguido na loja pelo segurança que é do seu bairro e acha que conhece seu tipo
Se chama inversão de valores, ou show de horrores
Quando a definição de suspeito vem com uma tabela de cores
Sua justiça morreu quando embrião, sua lei já falhou no protótipo
E o azar é daquele que assim como eu se encaixa no estereótipo... ótimo!

Querem mandar no que eu visto, querem julgar quem eu sou
Querem anular o que eu conquisto e que eu fique só com o que sobrou
Pode procurar nos registro, meu, o que fazem com a nossa cor
E se você é mais um tipo eu, resista, onde quer quer for
Porque

Somos todos alvos, somos todos alvos aqui! (4x)

Pela roupa que eu visto, a quebrada que eu moro e a cor que eu sou
O tira me para enquanto a filha dele deve tá querendo colar no meu show
Imagina que loko, durante o café da manhã, quando ele vai ler o jornal
E vê minha foto na capa e não é por óbito, nem motivo criminal
Mais um igual tantos que já levou tantas porta na cara que perdeu a conta
Minha vingança é estilo Carl Brashear, só d'eu tá aqui representa uma afronta
Agora me conta, olha pro mundo de ponta a ponta e vê como é sujo
Quantas Cláudias se foram antes de ter a chance de ser Taís Araújo?
Falemos de chances, pra você que esbraveja com raiva que é contra as cota
Quantas vez cê já teve que provar que o que é seu, é seu, quase mostrar a nota?
Quantas vez cê acordou pra trampar, passou 2 horas só no caminho 
E no vestibular disputou com quem acordou mais de 2 horas e foi pro cursinho?
Fica facinho assim, e a mentalidade aí se define
Quando gente igual eu só te serve se tiver fazendo gol pelo seu time
Esse estereótipo é baseado em séculos de história controversa 
E se você que abraça não sabe, já sei quem tem mais Q.I nessa conversa!

Querem mandar no que eu visto, querem julgar quem eu sou
Querem anular o que eu conquisto e que eu fique só com o que sobrou
Pode procurar nos registro, meu, o que fazem com a nossa cor
E se você é mais um tipo eu, resista, onde quer quer for
Porque

Somos todos alvos, somos todos alvos aqui! (4x)

Ô maloqueiro, aonde quer que vá fique ligeiro
As ruas não estão de brincadeira,
Vizinhos nos vêem como forasteiros! (2x)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Douglas Din - Causa Mor



Álbum: Causa Mor
Música: Causa Mor
Letra: Douglas Din

Nasce uma flor, varia na cor,
mas é incolor para o Criador.
Uma criação sem força de ação,
fraco coração. Mas mal criação

virá com o tempo representado 
pela areia na ampulheta,
como o discurso, troca de lado, 
sendo moldado mais que a silhueta.

Entre sair da arena ou arar a terra 
pra fazer brotar em campo de guerra,
nesse mar de gente, sem guelra que ajude,
quem ama o deseja mesmo em área rude.

Rude como a cultura que entra na mente por exposição,
sem a permissão se fixará como alicerce pra invocação
de cada argumento. Se ele for feito de barro ficamos na lama,
mas se os pilares são feitos de ouro; sob o tesouro quem cuspirá drama?

E é isso o que nos educa! Sempre preso a muvuca,
a mesma que o anjo segue. E o demônio cutuca
cordeiro com vara curta. Tudo em longo prazo
pra experimentar os de dez, sete, cinco anos

e em caso mais extremo, pega o menos imune, 
mostra o que há de pior. Tudo é questão de costume
produzido com o tempo de quem tá à mercê
do meio ambiente, crianças como você e como eu...

[refrão]

Eles querem correr, querem crescer,
poder pegar os doces no alto da prateleira.
São iguais a você, iguais a mim.
Inocência mirim, a minha causa primeira.
(2x)

São corpos de poucos anos, transportam tanto calo
na alma, palma. Poeira e pureza vão pelo ralo
cada vez que retornam da rua que nos reforma
com um kit de lei e vício. Edifício que adorna

o sonho que é exposto à distância e é imposto
de perto de pai pra filho, mas culpa não tem rosto.
Todos têm sua porção na invenção desse portfólio
do universo da compra que fica aí de espólio

pros nossos pequenos. Se o dólar vale menos
eles sabem. Assisto o enterro de nossos ingênuos
que aprendem, fazem, atacam, defendem.
Cumpra a cerimônia, mas de nós não mais dependem.

Irmão cuidando de irmão, tem! Criança pedindo esmola, tem!
Que prefere campo a colégio, tem! Pensando que crime é remédio, também!
Fato é que educação não tem só a ver com uma sala, carteira,
cadeira imunda, jaula vagabunda, controle de segunda à sexta-feira.

O futuro vira só resto de tudo o que o mundo propôs
e não há acordo e protesto porque nosso povo compôs.
Os pais compõem, ninguém se opõe a evolução torta e lenta
por isso eles vão sonhar e brincar aos cinco de idade e ainda aos quarenta...

[refrão]

Criança absorve o que há no entorno, assimila o que há de vantagem.
Miséria de grana, menos que virtude ferra a saúde da autoimagem,
até que não haja a auto avaliação do que fomos e somos,
mas se o presente fala do passado; do que você acha que nós somos donos?

O futuro é tão ilusório, também não tem nada a ver com destino,
mas só que culturas são fios de nylon movendo as pernas de tanto menino
e menina. A vida ensina mais do que qualquer professor
que fala de história, mas o aluno cria uma de dominado e dominador.

E isso não é fardo de preto, pardo, sem pai.
Cada grito escutado não vai, é uma ficha que uma hora cai
pro molde de quem chuta o balde, quando sai da forma se esbalda.
O resto é só adereço, começa no tempo da fralda.

O governo põe sua melhor fraude perante gestante, no primeiro instante
ele faz parecer que agora é trabalho e que a escola será o bastante.
Olhe para o mundo! Olhe pra você lá no fundo!
Veja quanta gente não realizada que amargam escolhas a cada segundo.

E isso que quero evitar. Saca? Nessa lacuna tem algo que ataca.
Tem só oito anos de história sofrendo com o próprio fim numa maca.
Mas creio na revolução, esses sonhadores conheço de cor,
pois sou como eles, nada sereno e faço dos pequenos minha causa maior.

[refrão]

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Carpintaria nietzschiana

A filosofia do martelo
se abate sobre a cabeça
de quem o ego nega ser prego,
ou pretende que se esqueça.

Ela diz: pensa por ti mesmo!
sem divina luz anterior
ou cego preconceito,
sem receita para aliviar a dor.

A dor é possível, se passível for.
Ser passivo nunca é bom,
melhor passável qual ator

que interpreta e desvenda o dom
que é a vida; complô,
se não lhe damos nosso tom.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PEQUENA LEI DA FÍSICA HUMANA

Quem não faz
Apenas vê
O que nos podem fazer.
Não escolher é escolha.
Omitir-se é uma ação.
E o arbítrio também é livre
para a indecisão.
Mas lembre-se, no papel a escolher,
Carroça, burro ou patrão,
A rédea, na mão alheia,
Controla sua direção.

FLAGRANTE DE UM CHAPÉU

Vi ontem o chapéu no chão,
que o vento o derrubara.
Não imagino quem seja
o dono, nem perguntara.

Prefiro inventar histórias
de onde possa ter saído.
Participado de glórias,
histórias tristes vivido?

Trancafiado na caixa
antes que alguém o tirasse,
fibras de mole tecido,
em que cabeça pousaste?

Terá ido a uma festa,
ou foi de alguém que não quis,
sombra à cabeça do asceta
ou de um qualquer infeliz?

Acenou para a mulher,
que não o viu por um triz,
ou foi apanhado no abraço
caliente da meretriz?

De onde veio?
Pra onde vai?
Rodopiando no mundo
qual navio em muitos cais.

Terá o chapéu o destino
daqueles que o carregam
perdidos, sem rumo e tino
que à sorte pura se entregam?

Ou ele é que trilha e marca
a sorte dos que são donos,
como só quem pune a mágoa
de uma vida de abandono?

Eu já não posso saber.
Apenas o vi ao vento,
Tangido sem pretender
Ser eterno o seu momento
Antes de ir se perder.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

"Pangeia" - Atentado Napalm, part. Fabio Brazza



[Refrão]
Antes do vulcão cobrir Pompéia
Antes da expansão e dominação europeia
Antes de Jesus caminhar pela Galiléia
O mundo era só uma Pangeia (uma pangeia)
Antes de Platão ter a primeira ideia
Antes de Homero escrever a odisseia
Não havia a mitologia de Medeia
O mundo era só uma Pangeia

[Verso 1: Fabio Brazza]
Viajar é preciso, então toma-te
O mundo como seu e seja um nômade
Desprenda das raízes, somos mais que nomes de
Condados e países
Somos homens e fomos condenados a ser livres
Até que criaram leis e magistérios
Homens viraram reis, cidades viraram impérios
Fizeram elos e trâmites, castelos, pirâmides
Enxames de soldados, com os corações soldados
Cada qual na sua alcateia, entre deuses e demônios
E o que era a Pangeia hoje virou pandemônio
Há um muro de Berlim em cada esquina
Das favelas e condomínios até os confins da Palestina

E o mundo em discrepância, cada vez mais se separa
O conflito escancara essa distância
A Intolerância é um dom contemporâneo
E o mar mediterrâneo virou um balsamo, dos náufragos, depósito de crânios
O palco dos infames crimes contra a humanidade
Onde as muralhas do medo afrontam a liberdade
A população cresce em densidade
E ao invés de aumentarem as mesas, resolveram aumentar as grades

[Verso 2: Gigante]
Parafraseando Bob eu vejo um mundo sem fronteiras
Se todos dermos as mãos ninguém mais vai bater carteira

Vou ter que citar Rousseau, a injustiça começou
Quando o primeiro a se achar dono de uma terra a demarcou

Nossas religiões nos separam desde cedo
Protegendo terra fértil, fertilizamos o medo
O início da divisão revolução agrícola
Com advento do Estado Leviatã facínora
Mas temos um elo perdido em comum
Adão já foi macaco e todos nós já fomos um

O mundo se metamorfa mais do que conto de Kafka
Só vai sobrar as baratas, mas todos viemos da África
Vejo um grão de areia e fico sóbrio
Na imensidão que clareia com um microscópio
Dependendo do ângulo que se vê se enxerga o inverso
O planeta é uma coisa só perante a todo universo

[Refrão]
Antes do vulcão cobrir Pompéia
Antes da expansão e dominação europeia
Antes de Jesus caminhar pela Galiléia
O mundo era só uma Pangeia (uma pangeia)
Antes de Platão ter a primeira ideia
Antes de Homero escrever a odisseia
Não havia a mitologia de Medeia
O mundo era só uma Pangeia

[Verso 3: Eko]
Trago uma ideia e já mando na lata, não amassada
Desde a era da pedra polida pessoas estão lascadas
Bem vindos ao separatismo pós apocalíptico
Registro em tag, homo sapiens do paleolítico
O “tamo junto” posto à prova onde o dinheiro te priva
Semblantes mortos separados pela cerca viva
Onde o consumismo é a nova fome, tablóides
Nos dividem entre usuários de Iphones, Androids
Disputas de empresas, a publicidade vem nessas rinhas, te mascar
Contra a linha de produção trago o caderno com as Linhas de Nazca
Não apague com o tempo, nem todos entendem o filho pródigo que narra
Não vê as divisórias, mas todos temos um código de barra
Pobres adormeceram no veneno da maçã
Só cola com os “rico” desde que não sejam Dalassam
Preconceitos avançaram, velocidade super sônica
Nos afastaram mais que as placas tectônicas


[Verso 4: Buneco]
Antes, quando o mundão por si juntava mais vacas que berrantes
Tínhamos menos joias e mais pegadas de elefantes
Traficaram o marfim e pelo mar fim dos diamantes
Parece abstrato, mas o extrato é elegante
Éramos viajantes explorando a terra
Quem era príncipe antes se tornaram os principiantes
Consumimos instantes, depois construímos hidrantes
Em linhas imaginárias que nos definem como imigrantes
E dividir não se tornou uma ideia única
Todos querem ser os donos dessa linda túnica
O câncer nasce no homem como o homem nasce na Terra
Mal sabemos nossa origem e estamos a um passo da ultima guerra
Nossa clínica, muda o clima e pah
Ora equilibrar o bem me guiou
Nosso enigma, como eliminar o maligno ser benigno
Quem tem as respostas exatas pra essas condições sub humanas
Então respeite a minha mãe terra porque é nela que a gente mama

[Refrão]
Antes do vulcão cobrir Pompéia
Antes da expansão e dominação europeia
Antes de Jesus caminhar pela Galiléia
O mundo era só uma Pangeia (uma pangeia)
Antes de Platão ter a primeira ideia
Antes de Homero escrever a odisseia
Não havia a mitologia de Medeia
O mundo era só uma Pangeia