quinta-feira, 8 de abril de 2010

Contexto

As palavras, assim como as pessoas, nunca são por si sós, sempre estão para serem. São por estarem.
O que seria da palavra amar, "verbo intransitivo" cantado em versos mil se não fosse o ser amado, que qualifica e identifica esse amor infinito?
Que seria do ódio se não fosse o que se odeia?
Que seria dos nomes se não fossem as pessoas, os animais, as coisas?
Seriam objetos na prateleira de um aposento escuro, sem uso e sem sentido.
Por isso as palavras somente são quando estão.
São como nós, personagens de uma composição em andamento, à espera de um fim que faça sentido.

Um comentário:

Cristovam Melo disse...

Que poema lindo! Sobretudo, de um lirismo profundo; Olhar atento de poeta. Parabéns, amigo! (Sugiro creditar todos os poemas, para que os comentários sejam direcionados a quem couber.)