sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

CANSAÇO


O cansaço consome meu corpo
Como um cancro enraivecido,
Destrói ao criar o novo
Ensandecido tecido.
Insidioso qual cobra,
Qual óleo em mim escorrido,
Qual febre que se renova,
Qual tiro sem estampido,
Convolado em epicentro
de centenas de outros sismos.

Cansaço do corpo e d’alma,
Das ilusões juvenis,
Da sensação de que acaba
o tempo de ser feliz.
Cansaço de olhar e ver
O fato de existir,
E de tentar resolver
O que não pode ter fim.

O cansaço me consome
como ácido, corrosivo,
que desce pela garganta
como este ar que respiro
no dia a dia que espanta
os motivos do motivo
e faz-me indagar, no fim,
se é o bastante estar vivo.

Um comentário:

Nancy Lix disse...

Pelo teu jeito incisivo, penetrante, ou as palavras escolhidas, a musicalidade , ou mesmo o tipo de sentimento, os teus poemas emocionam-se.

Sinto o teu estilo poético como água deslizando e descendo em cachoeira. É realmente lindo.
Obrigada por ter visitado o meu blog, só assim pude encontrar a tua belíssima obra.

Se me permitires, postarei alguns dos teus poemas no meu blog, começando com Cansaço, tá?

Um grande abraço, amigo poeta.
Nancy