sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Soneto

O que eu puder falar aos astros esta noite,
Direi em um único sopro de verdade,
Fugindo a toda forma de vaidade,
Lembrando que a mentira é puro açoite.

Mas olho para o céu; não vejo a corte
Que a lua faz aos prédios da cidade,
E nem as estrelas conspiram em veleidade,
Somente as nuvens passam em negro coche.

E mil verdades morreram em minha boca,
E a esperança que era sã, tornou-se louca
Na luz difusa da mortiça madrugada.

E só me resta, então, sacar da pena avara,
Em busca do farol que se apaga
Na hora em que o nascente sol nos doura.

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