quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Minha Terra

Ao Poeta e conterrâneo Ricardo Reis, verdadeiro menestrel dessa terra para sempre encartada em nossa memória.


Um dia avistei o imenso mar,
Mas no mar senti saudades do açude,
Que na época chuvosa, a sangrar,
Irriga o seco chão que desilude.

E a grande metrópole que avistara,
Fizera-me ainda mais perto de minha terra,
Como se a distância maior que já andara,
Pusesse-me sempre, e mais, em sua esfera.

A serra no horizonte, emoldurada,
Os extraordinários carnavais,
Festejos prosseguindo nas barracas,
E procissões fluindo em seus canais.

Carnaúba com seu tronco de couraça,
Carne seca quarando nos varais,
Sutil aroma de terra molhada,
Saciada nos invernos temporais.

Nos marços, jenipapo relembrado,
Independência em lutas marciais,
Heróis no obelisco, pranteados,
Em versos de poetas imortais.

Cadeiras nas esquinas, nas calçadas,
Sugerem as cantilenas mais banais,
Notícias dos amigos, sim, nos traga,
Do tipo que não contam os jornais.

Notícias dessa terra tão distante,
Terra minha que do peito não se apaga,
Reconquista demarcada em cada instante,
Em que a mente, livre mente, assim divaga.

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