sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Efemeridade

Sinto a promessa da espuma.
Embora não possa apanhá-la,
Faz-se densa como a bruma,
Como de sonhos minh’alma.

E como a nuvem no céu,
Mil formas se vão ao ar,
Faz-se tal como o papel,
Em que posso rabiscar.

A linha do pensamento,
Inconstante mensageira,
É a espuma em que experimento
A mutação mais ligeira.

E no instante perdido,
A forma perdida está.
Ah, pensamento bandido!
Por que não te aprisionar?

Entre dedos, esvaído,
Já não te posso apanhar,
Como a espuma que persigo,
Antes de o banho acabar.

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